Sessão de Rua, um app para os cinemas de rua de Porto Alegre
Projeto de curso em que fiz a pesquisa com usuários do começo ao fim. Um formulário com 30 respostas e duas entrevistas mostraram que as pessoas perdem sessões por não saber delas, e isso virou um protótipo de app com a programação das quatro salas num lugar só.
FigJam, Figma, Google Forms, Google Meet, Tactiq e Excel
Resultado
Protótipo clicável com 12 telas, a partir da pesquisa
Contexto
Fiz o curso UX do Zero ao Case para ganhar prática em pesquisa com usuários, e este foi o meu projeto individual. Porto Alegre tem quatro cinemas de rua ativos, todos na região central: a Cinemateca Capitólio, o CineBancários, a Sala Redenção (UFRGS) e a Cinemateca Paulo Amorim. Cada um divulga a programação no próprio site ou blog e no Instagram. O projeto investigou como as pessoas descobrem essas sessões e terminou num protótipo de app para ver tudo num lugar só.
Problema
Quem gosta de cinema em Porto Alegre tem dificuldade de acompanhar a programação dos cinemas de rua. Ela está espalhada em quatro sites e perfis de Instagram, e nem todo post chega a quem segue as salas. As pessoas descobrem as sessões tarde demais, ou nem descobrem. Das 30 pessoas que responderam ao formulário, 19 (63%) já perderam uma sessão por não saber dela, e 11 (37%) frequentam cinemas de rua, contra 27 (90%) no multiplex.
Meu papel
Fiz sozinha todas as etapas: a pesquisa, a síntese, a ideação, os fundamentos visuais, os componentes, as 12 telas e o protótipo clicável.
Processo
Pesquisa
Comecei pela matriz CSD, para organizar o que eu sabia em certezas, dúvidas e suposições. Depois mapeei os quatro cinemas e como cada um divulga a programação: todos usam o Instagram como canal principal e mantêm um site ou blog com a programação semanal, e nenhum canal reúne as quatro salas. Nos benchmarks, os agregadores nacionais (AdoroCinema, Cinema10 e Ingresso.com) listam cinemas do país inteiro sem distinguir salas independentes de multiplex, e no exterior estudei o Ciné Indés (França), o Revival Houses (Los Angeles) e o Cineville (Holanda). Nenhum deles reúne o Capitólio, o CineBancários, a Sala Redenção e a Cinemateca Paulo Amorim num só lugar.
O board da primeira etapa, visto de longe: matriz CSD, mapeamento dos cinemas, benchmarks e lacunas.
Fiz um formulário no Google Forms, divulgado em Instagram, WhatsApp, LinkedIn e nos grupos do curso, que recebeu 30 respostas em menos de 24 horas, entre 8 e 9 de abril de 2026. É uma amostra por conveniência, boa para explorar hipóteses e não para generalizar: 17 pessoas moram em Porto Alegre (57%), 7 na região metropolitana (23%) e 6 em outras cidades (20%). Tabulei as respostas no Excel. A principal barreira citada é não saber o que está em cartaz (13 de 30), à frente de falta de tempo (12) e de distância (8).
Depois separei as 11 pessoas que frequentam cinema de rua, o grupo mais próximo de quem usaria o app. Nele, 10 já perderam uma sessão por não saber dela e 9 dão nota 4 ou 5 para uma plataforma com toda a programação. Seis delas usam o Letterboxd, contra 9 das 30 pessoas no total.
Também fiz duas entrevistas em profundidade pelo Google Meet, de 38 e 61 minutos, transcritas com o Tactiq, com Felipe, de Porto Alegre, e Érica, que mora em São Paulo e frequenta os cinemas de rua de lá. Eu já conhecia as duas pessoas, e elas autorizaram o uso do primeiro nome. Felipe contou que os posts das salas no Instagram não chegam até ele e que eventos esgotam antes de ele ficar sabendo. Érica falou dos debates e das mostras como parte do programa, disse que nunca pagou mais de R$ 20 num cinema de rua de São Paulo, contra pelo menos R$ 30 no multiplex mesmo com meia-entrada, e lembrou que as sessões mais baratas caem durante a semana, no horário de trabalho.
Os dados do formulário e das entrevistas, vistos de longe, e os quatro insights que saíram deles.
Da análise saíram quatro insights. A programação existe, mas não chega às pessoas. O Instagram é o canal de todas as salas e o preferido de 21 das 30 pessoas, mas o post nem sempre chega a quem segue. O horário pesa tanto quanto o preço. E a indicação de alguém conhecido pesa mais que o algoritmo: 17 das 30 pessoas (57%) escolhem o filme assim. Com eles montei a protopersona Júlia, a jornada e o ponto de vista, e transformei os desafios em perguntas do tipo Como poderíamos.
A síntese, vista de longe: problema, persona, mapa de empatia, jornada e POV.
Ideação
Gerei ideias com Crazy 8 e entraram a agenda por dia, os filtros rápidos, a página de sala e os avisos por sala, gênero ou diretor. O bot de WhatsApp virou só uma opção de canal nos alertas, e o mapa de salas e a conexão com o Letterboxd ficaram para depois. Na matriz de impacto por viabilidade, o MVP ficou com a agenda unificada, as notificações e as tags de preço, idioma e evento. A venda de ingressos não entrou, porque as quatro salas vendem só na bilheteria, no dia da sessão.
Crazy 8, matriz de priorização, fluxo e sitemap, com as notas do que entrou e do que ficou de fora.
Antes da interface, rabisquei as telas em wireframe, cada uma com uma nota do que mudar na próxima versão. A agenda passou por três versões até chegar na hora grande à esquerda e no destaque menor, e as dúvidas que ficaram abertas (dia sem sessão, meia-entrada por sala, estados de carregando e erro) estão anotadas ao lado.
Os wireframes da agenda, do início, da sessão e dos filtros, com as notas de cada versão.
Do insight à tela
Cada achado da pesquisa virou uma decisão e uma tela do protótipo.
O que a pesquisa mostrou
O que o app faz
Onde aparece
63% já perderam uma sessão por não saber que ela existia
Uma agenda com as quatro salas juntas, por dia e horário
Agenda e Filtros
21 de 30 preferem receber pelo Instagram, mas na entrevista os posts das salas não chegavam a quem as segue
Avisos próprios, por sala, gênero ou diretor
Alertas
O horário pesa tanto quanto o preço na hora de escolher
A hora é o maior número da linha, e dá para filtrar o que passa depois das 18h
Agenda e Sem resultados
Falta saber preço, idioma e se tem debate antes de sair de casa
Cada sessão mostra isso na lista e no detalhe
Agenda e Sessão
As salas vendem ingresso só na bilheteria, no dia da sessão
A sessão avisa isso, e a ação principal é ver como chegar
Sessão
90% vão ao multiplex e só 37% a cinema de rua
Um guia curto para quem nunca foi, aberto na primeira tela
Boas-vindas e Primeira vez
A indicação de amigo pesa na escolha (57%)
Letterboxd e "quem vai" ficam para depois
Perfil
Sessão grátis e festival não aparecem em lugar nenhum
Uma aba de eventos e uma página para cada sala
Salas, Sala e Eventos
Referências e fundamentos
Parti de cinco referências de apps e sites de cinema que salvei no Cosmos e peguei de cada uma uma coisa só: a foto grande, a lista com linha fina, a faixa de dias e a barra flutuante. O app usa poucas cores, texto grande, linhas finas e uma foto grande por tela, em modo claro e escuro, com uma família tipográfica só, a Hanken Grotesk.
As referências e o que levei de cada uma.Cores nos dois modos.Escala tipográfica: a hora é o maior número da linha.
As regras que segui cabem em quatro linhas: uma foto grande por tela, linha fina no lugar de caixa, preto e cinza com vermelho só para destaque e a hora e a sala primeiro. Todos os pares de cor de texto passam no contraste AA, nos dois modos, e o menor valor do modo claro é 4,6:1. A primeira versão do layout, mais enfeitada, eu descartei, e também testei uma grade por sala e hora, como num guia de TV.
As versões: a v3 em preto e cinza, o teste de grade por sala e hora, que não segui, e a versão atual.A biblioteca de componentes.
As 12 telas
O protótipo tem 12 telas, em três jornadas: entrar e achar uma sessão, decidir e ir, e voltar sempre. Os filmes e as imagens são reais, pôsteres e fotogramas do TMDB usados só neste protótipo, assim como as salas, os endereços e os canais. Os horários, os preços e as distâncias foram inventados, e o nome é provisório.
01 Boas-vindas02 Agenda03 Filtros04 Sem resultados05 Agenda no modo escuro
2 · Decidir e ir
06 Detalhe da sessão07 Salas08 Página da sala09 Eventos especiais
3 · Voltar sempre
10 Alertas11 Primeira vez no cinema de rua12 Perfil
Como as telas se ligam.
Decisões
Lista por hora em vez de grade por sala e horaO que vi
12 de 30 pessoas citam a falta de tempo e 13 escolhem a sessão pelo horário. Testei uma grade por sala e hora, como num guia de TV.
O que decidi
Ficar com a lista por hora, com a hora como o maior número da linha e o nome da sala embaixo do filme, e um filtro para o que passa depois das 18h.
Por quê
A lista é mais simples de ler, e quem trabalha precisa saber primeiro se a sessão cabe na rotina.
Avisar onde e quando comprar o ingressoO que vi
Os cinemas de rua de Porto Alegre vendem ingresso só na bilheteria, no dia da sessão. Quem nunca foi não sabe disso.
O que decidi
A tela da sessão avisa que o ingresso é vendido na bilheteria, só no dia, e a ação principal é ver como chegar, com um lembrete ao lado.
Por quê
O app resolve a descoberta, que é a barreira mais citada, e a pessoa sai de casa sabendo onde e quando comprar.
Avisos por sala, gênero ou diretorO que vi
Os quatro cinemas usam o Instagram como canal principal e 21 das 30 pessoas preferem receber informações por lá. Na entrevista, Felipe contou que os posts das salas não chegam até ele. E 24 das 30 pessoas escolhem o filme pelo gênero, e 12 pelo diretor.
O que decidi
Uma tela de Alertas, com salas seguidas, gêneros e diretores e a escolha do canal, com notificação no celular, e-mail ou WhatsApp.
Por quê
Um canal próprio avisa quando aparece uma sessão que interessa, sem depender do algoritmo.
O que eu faria diferente
Revendo a pesquisa e o protótipo, mudaria quatro coisas.
Recrutamento: o formulário circulou entre conhecidos e nos grupos do curso, e as duas pessoas entrevistadas eu já conhecia, uma delas de São Paulo. Hoje eu abriria o formulário com uma pergunta de triagem e entrevistaria quem frequenta as quatro salas.
Perguntas: "Se houvesse uma plataforma, você usaria?" mede intenção de uso. Eu perguntaria também como a pessoa ficou sabendo da última sessão a que foi.
Dados que eu usaria melhor: 25 de 30 pessoas planejam a ida alguns dias antes, e a agenda abre no dia de hoje. 19 de 30 vão quase sempre acompanhadas, e o "quem vai" ficou para depois. E 21 de 30 dizem que o tema ou o viés político da sessão pesa na decisão, o que o detalhe da sessão ainda não mostra.
Escopo: desenhei salas, eventos, perfil e o modo escuro antes de testar a agenda e os alertas, que eram o MVP. O próximo passo é um teste de usabilidade com cinco pessoas que frequentam as salas, com tarefas como achar uma sessão grátis depois das 18h e criar um alerta para um diretor.
Resultado
O projeto chegou a um protótipo clicável de app com 12 telas, com a agenda também no modo escuro, uma biblioteca de componentes e o mapa de como as telas se ligam. Ele ainda não passou por teste de usabilidade. Entre os achados que o sustentam, 19 de 30 pessoas já perderam uma sessão por não saber dela e 22 de 30 dão nota 4 ou 5 para usar uma plataforma com a programação de todos os cinemas independentes. Essa nota mede intenção de uso, numa amostra pequena e por conveniência. Só o teste de usabilidade vai mostrar se o app resolve o problema.